Finalmente vejo flores

Então ela me lê como lê seus livros de análises,
e decide correr da CLN para me ver
e eu corro da QN para vê-la.

Abençoado seja
– minha loucura fez ela bater em minha porta.

e repetimos as idas e vindas
até que ela me estranhe em seu banheiro
ao ensaboar sua pele que cheira
à uma flor que não sei o nome.

Então nos deitamos.
Ela me toma pelas extensões de seus braços
enfiando-os embaixo do meu pescoço
e envolve-me contra sua pele
e entre seus ossos;
aferro-me em uma de suas mãos
enquanto penteio seu cabelo cor ferrugem com a ponta dos meus dedos;
[eu fito seus olhos verdes, abençoados
como nascentes da Costa Verde Fluminense
fluindo dentro de sua cabeça.

Ela enfia uma gargalhada
de esperança
-uma gargalhada de quem ainda
precisa de amor
em minha laringe
então sorrio e desfaleço.

Amanhã, ao acordar
direi que
há nela o suficiente para
que eu me sinta amado

e eu a amarei
até que ela decida
não correr mais
em minha direção
e enfiar seus braços
embaixo do meu pescoço
aproximando o meu rosto
em seu peito afável.

– Thaysminy Marques Coelho

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